IBM e Abin se unem à 4Linux para formar hacker
Gazeta Mercantil. Formar "hackers do bem" com Linux. Essa é a proposta da empresa brasileira de treinamento em software livre, a 4Linux, com o programa HackerTeen, sistema de ensino de segurança e empreendedorismo para adolescentes de 12 a 17 anos em Linux, que mal começa e já tem parceiros pesos-pesados. O primeiro deles é a IBM, que vai patrocinar as duas primeiras turmas de alunos, sendo 12 no Rio e 12 em São Paulo. "Trata-se de um projeto pioneiro, e, vamos fazer dois pilotos contemplando 24 alunos. Estamos confiantes no sucesso do programa e nossa expectativa é não parar por aí. Nosso objetivo é oferecer treinamentos para os adolescentes carentes", disse a executiva de programas de responsabilidade social da IBM, Patricia Menezes. Segundo ela, esta iniciativa é parte do projeto global da companhia chamado Reinventando a Educação, que tem como objetivo a melhoria da qualidade da educação básica.
Aliás, o Linux faz parte de uma estratégia mundial da IBM, que vem investindo bilhões de dólares no desenvolvimento de produtos e soluções baseados no sistema operacional de código aberto criado pelo estudante finlandês Linus Torvalds em 1992.
As entidades escolhidas para o curso patrocinado pela IBM foram o Centro Público de Formação Profissional de Tecnologia da Informação em Software Livre da prefeitura de Santo André (SP) e o Centro de Tecnologia Aplicada (CTA), no Rio. Em cada uma delas, serão escolhidos 12 alunos para o treinamento.
O curso, que terá 18 meses de duração, é dividido em cinco etapas, cujos níveis correspondem às faixas do caratê: branco, amarelo, verde, azul e preto. A primeira é a branca. Nela, o treinamento envolve somente web por 24 horas, mais 12 horas de auto-estudo e o acompanhamento de uma pedagoga baseada no método Paulo Freire.
A carga horária será de 500 horas e cerca de 20% do curso é presencial, informa o presidente da 4Linux, Rodolfo Gobbi.
12 em São Paulo que estiverem interessados em pagar pelo curso, que vai custar cerca de R$ 13 mil. Segundo Gobbi, o site do curso foi colocado na web em setembro, quando foram abertas as inscrições para o curso. Até o lançamento oficial, na última sexta-feira, já foram feitos 1,6 mil cadastros de jovens interessados no programa. "Nossa expectativa é formar 700 adolescentes nos primeiros dois anos de operação", acrescentou o executivo.
Para alcançar esse número, a 4Linux tem um projeto de abertura de franquias e parcerias com colégios para o HackerTeen. Gobbi informou que a empresa está em conversação com o sindicato das escolas particulares para desenvolver uma parceria. "Algumas escolas já terceirizam os cursos de inglês e a nossa aposta é na terceirização de cursos de informática nas escolas", disse ele, acrescentando que há vários colégios interessados.
A metodologia de ensino do HackerTeen é inédita, pois utiliza linguagem jovem e recursos de mangás (quadrinhos japoneses) e jogos de RPG (Role Playing Game), além de palestras com personalidades e acompanhamento psicológico com pedagoga baseada no método Paulo Freire. O objetivo é a psicóloga avaliar se o aluno se dispõe das habilidades necessárias para ter o comportamento ético e social de um futuro hacker e investigar a presença do déficit de atenção e hiperatividade.
O segundo grande parceiro para o projeto HackerTeen é a Agência Brasileira de Inteligência (Abin).
A Abin, inclusive, está interessada nos dez melhores alunos do curso HackerTeen. A idéia é dar uma bolsa de estudos para eles darem continuidade à formação e começarem a trabalhar na agência, informou o diretor geral da Abin, Mauro M. L. Silva. Mas essa não será a única parceria. "Acabamos de descobrir agora que será possível montarmos também uma rede de hackers do bem para combate ao crime na internet", disse Silva. Segundo ele, ainda trata-se de uma idéia inicial, mas que tem tudo para ser concretizada.
O diretor da Abin lembrou que cerca de 80% dos crimes cometidos na rede mundial de computadores envolvem adolescentes, sejam eles causadores ou vítimas. "Está claro que se tem que ensinar os filhos na internet. Afastá-los não é o melhor caminho. É necessário reeducá-los", acrescentou.
"Hoje existem hackers adolescentes que agem por conta própria, derrubando sites com pedofilia. Isso acaba dificultando a investigação da polícia, e, esses hacker, ao invés disso, poderiam ajudar a agência na investigação desse tipo de crime", disse.
O projeto HackerTeen também conta com outros colaboradores, como o diretor executivo da Linux International, Jon A. Maddog Hall, que deverá ajudar na tradução do HackerTeen para o inglês, informou o presidente da 4Linux, Rodolfo Gobbi. "Esse programa permite dar uma opção construtiva e não destrutiva para o uso da energia dos jovens que hoje se tornam crackers por razões como reconhecimento e integração", disse Maddog, acrescentando que o modelo poderá ser exportado para o Canadá dentro de três anos.
Maddog lembrou ainda que o Linux está em pleno crescimento no mercado. "Um terço da base mundial de servidores carregam Linux e esse número deve chegar a 56% em 2006", disse Maddog, citando dados da International Data Corporation (IDC). Para ele, apesar de o Windows, da Microsoft, estar em 90% dos desktops, o fato de o Linux ter o código fonte aberto e ser feito por uma comunidade de programadores ajuda, e muito, no aprendizado dos jovens. "Como o código fonte é aberto não existe limitações para que elas ", disse.
O presidente do Instituto de Tecnologia da Informação (ITI), órgão ligado à Casa Civil, Sérgio Amadeo, elogiou HackerTeen e disse que há interesse do governo em oferecer o curso nos Telecentros - locais públicos com vários computadores voltados para cursos de informática e acessos para a internet, como forma de reduzir o abismo da exclusão digital. "Como é baseado em Linux, o HackerTeen, é um programa de ensino que tem tudo a ver com a estratégia do governo em incentivar o uso do software livre", disse Amadeo.
Em troca da parceira com a 4Linux e IBM para o HackerTeen, o CTA, do Rio, vai fornecer sua ferramenta de e-learning desenvolvida internamente e que poderá ser utilizada na propagação mais rápida do programa.
A 4Linux investiu R$ 500 mil na estruturação do HackerTeen, que passa a ser a terceira fonte de negócio da empresa brasileira, fundada em 2001. A expectativa do presidente da companhia é recuperar o investimento em um prazo de 12 a 18 meses. Nesse período ele espera uma receita de R$ 2 milhões somente com o novo programa, que deverá se tornar o principal negócio da companhia. As outras duas frentes de negócio da empresa são: treinamento e consultoria de projetos de migração para software livre.
Segundo Gobbi, a 4Linux faturou R$ 1 milhão em 2003 e a expectativa é de que o faturamento neste ano triplique, chegando a R$ 3 milhões. "Estamos bastante otimistas como HackerTeen, pois ele vai representar mais do que a metade do nosso faturamento." kicker: Programa HackerTeen poderá ser traduzido para o inglês e até exportado
Fontes: http://agenciact.mct.gov.br/index.php?action=/content/view&cod_objeto=21...
E continuação em: http://www.agenciaweb.com.br/noticias.asp?pIdMateria=1041
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