HP, IBM e Novell ampliam negócios com Linux

Redução de até 45% nos custos com tecnologia da informação é um dos atrativos da plataforma

Friday, 26 de May de 2006

Jornal DCI - 24/05/06

Mercado brasileiro de soluções baseadas no software livre movimenta US$ 100 milhões ao ano e deve registrar crescimento de 30% em 2006

Enquanto a Microsoft esforça-se para aumentar sua carteira de clientes corporativos no Brasil, cada vez mais empresas nacionais estão caminhando na direção contrária à empresa de Bill Gates e adotando o sistema operacional Linux, que gera uma economia média de 45% em gastos com tecnologia da informação. Grandes nomes do segmento como HP , IBM e Novell têm respaldado tais produtos e vendo oportunidades em um mercado que movimenta anualmente cerca de US$ 100 milhões no País e deve crescer 30% este ano. A IBM é uma das grandes companhias que está associando cada vez mais seu nome do Linux. A empresa acaba de anunciar um investimento de US$ 2,2 milhões em seu Centro de Tecnologia Linux, que passará a contar com 45 profissionais desenvolvendo projetos sobre a plataforma de código aberto. “O Brasil está entre os cinco principais países — ao lado de Estados Unidos, China, Índia e Alemanha — onde mantemos tais pesquisas”, afirma Jeff Smith, vice-presidente de Linux & Open Source Software. O diretor de iniciativas estratégicas da IBM, Haroldo Hoffmann, explica que um número crescente de empresas brasileiras, de diferentes portes e segmentos de atividade, está migrando suas operações para plataformas Linux. “Nosso portfólio, incluindo mais de 700 softwares, estão prontos para rodar em Linux”, diz Hoffmann, evidenciando o interesse comercial da IBM na questão. Além da redução de custos, o executivo acredita que as empresas estejam optando pelo Linux devido à flexibilidade que o sistema confere. “Trabalhando com padrões abertos, as companhias podem adotar novas tecnologias de maneira mais ágil, assim como responder às demandas do mercado em menos tempo. E esta visão de respostas rápidas está alinhada a nossa estratégia on demand”, complementa. A HP, segunda maior fabricante de PCs do mundo, também está apostando nesse mercado. No ano passado, as vendas de soluções em Linux da empresa cresceram 44% e a expectativa, segundo Jaison Patrocínio, gerente de marketing da companhia, é manter o mesmo ritmo esse ano. “O Linux já é uma realidade e a HP está apostando muito forte nesse setor”, afirma Patrocínio. O gerente também ressaltou que há dois anos, os servidores Linux representavam 4% das vendas de servidores da HP e hoje, representam 15%. Dentre as empresas brasileiras que optaram pelo Linux, as Casas Bahia são um exemplo expressivo. A gigante do varejo — com 530 lojas, 2.200 caminhões, volume de 980 mil entregas mensais e sete centros de distribuição — teve uma economia de US$ 8 milhões em licenças de softwares desde que começou a trabalhar com Linux, em 98. “Inicialmente, o sistema operacional aberto era utilizado nos servidores da matriz e, com o tempo, foi sendo adotado também nas máquinas dentro das lojas. A premissa desta transição foi sempre a manutenção do padrão de segurança”, afirma Idelfonso Severino, gerente de Tecnologia da Informação das Casas Bahia. Além de evoluir para as lojas, a utilização do Linux também foi parar na mão dos seis mil montadores de móveis da empresa. Estes profissionais, que vão à casa dos clientes entregar e montar móveis, estão trabalhando com equipamentos portáteis que levam aplicações Linux embarcadas e se comunicam com os Centros de Distribuição via GPRS. Os relógios de ponto da empresa também funcionam com Linux, assim como os sistemas de busca de dados, como notas fiscais e demais documentos para auditoria. De olho nas oportunidades do mercado corporativo brasileiro, a americana Novell, especializada em softwares de programação aberta, está lançando a plataforma SUSE Linux Enterprise 1.0. Um dos principais atrativos da nova plataforma é seu sistema de busca, que permite fazer buscas de documentos em diferentes formatos. Para Ricardo Fernandes, presidente da Novell, “o mundo está centralizado no modelo Microsoft. O Linux é uma solução alternativa, que oferece redução de custos, independência e qualidade”. A Novell registrou crescimento de 30% nas vendas de soluções Linux em 2005 e, segundo Fernandes, espera obter o mesmo resultado esse ano. Rodolfo Gobbi, presidente da 4Linux , empresa que oferece consultoria e treinamento em softwares livres, também se mostrou otimista. A demanda por soluções em Linux da empresa cresceu 40% em 2005 e Gobbi espera para 2006 aumento de 30% nas vendas. O executivo destaca o grande número de profissionais brasileiros com certificados do Linux Professional Institute (LPI), maior instituto de certificação em Linux do mundo. O Brasil é o sexto país em número de profissionais certificados no mundo. Só em 2005, o LPI forneceu mais de 500 certificados. A Insigne, empresa que desenvolve sistemas operacionais baseados em Linux, aposta no mercado doméstico. No ano passado, a companhia registrou crescimento de 400% e, segundo João Pereira da Silva, sócio da Insigne, espera manter o desempenho em 2006. Ao todo, já foram vendidas mais de 400 mil licenças do Insigne, principal produto da empresa e que atende as especificações do programa Computador para Todos, do governo federal, a maioria por meio de parcerias com os fabricantes de computadores, como Toshiba e CCE . As licenças custam entre R$ 30 e R$ 45, já inclusos 18 meses de suporte via telefone ou bate-papo on-line. Por: Katia Hochman e Rodrigo Caetano Fonte: www.dci.com.br

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