Java acadêmico - Entrevista com Gustavo Lira sobre o Java que é ensinado nas faculdades do Brasil hoje.

Entrevista com Gustavo Lira sobre o Java que é ensinado nas faculdades do Brasil hoje.

Monday, 15 de July de 2013

Entrevista com Gustavo Lira sobre o Java que é ensinado nas faculdades do Brasil hoje.

1 - Hoje muitas faculdades têm Java em sua grade curricular. Você acredita que esse conteúdo é suficiente para o aluno disputar uma vaga de Java no mercado de trabalho? Infelizmente, a grade curricular das faculdades, atualmente, não é suficiente para o aluno se aprofundar no Java a ponto de conseguir disputar uma vaga no mercado de trabalho. Com o mercado voltado cada vez mais para aplicações web e mundo mobile, o aluno precisa aprender várias tecnologias existentes no Java e o mais importante, que é vivência e experiência em projetos reais. Além de Java é necessário que as faculdades ampliem o foco nas tendências do mercado e adaptar sua grande curricular de modo que ensine html, css, javascript e design patterns, visando qualidade de código, além de outras tecnologias que geralmente serão utilizados em projetos atuais.

Analisando uma vaga para Java Junior em um famoso site de empregos, percebemos que são muitas as tecnologias e os chamados "diferenciais" contam bastante:

  • Vai atuar com analise, desenvolvimento e manutenção de sistemas e produtos.
  • Experiência de estágio em desenvolvimento de sistemas utilizando tecnologias Java/JEE para Web.
  • Ensino Superior completo ou cursando em TI ou afins.
  • Desejável conhecimento de Hibernate e frameworks de mercado (VRaptor, JSF, Struts, Jasper Reports). Desejável conhecimento de banco de dados, HTML, Javascript (Plus para jquery).

Dificilmente uma faculdade irá preparar um aluno para vagas similares no mercado de trabalho.

2 - Por que as pessoas dizem que Java é mais difícil de aprender do que Python por exemplo? Essa pergunta é difícil de responder. O único ponto que vejo seria em relação a quantidade de código, onde que na maioria das linguagens o que você faz com 5 linhas de código, com Java você vai fazer com 10 ou mais, porém, isso não necessariamente implica em ser mais difícil. Digamos que Java é apenas mais verboso, muito dessa verbosidade está relacionado com Java ser fortemente tipado.

3 - Da nossa formação Java, quais pontos fortes você enxerga em relação ao mercado? Além de aprender Java utilizando projetos pensados no que o mercado de trabalho necessita e utiliza, de quebra o aluno aprende tecnologias como ferramentas de build, servidores de controle de versão, entre outras, simulando ambiente real de desenvolvimento, focado em trabalhar em equipe.

4 - Para quem sai da faculdade e quer entrar para o mercado Java, quais conselhos você daria? É difícil conseguir o primeiro trabalho Java sem experiência. Um bom diferencial que é possível ter dos outros concorrentes é ter certificações. A certificação em si não prova que você é melhor do que outro concorrente que não tenha, mas ela acaba sendo um belo diferencial no momento da contratação. Minha dica é procurar se envolver e contribuir com projetos open-source pois lhe dará bastante experiência facilitando a entrada no mercado de trabalho. Como essa área está em constante mudança e sempre evoluindo também aconselho sempre estar estudando algo, mesmo que não for utilizar em nenhum projeto no momento, mas é sempre bom estar evoluindo e deixando seu conhecimento em dia!

5 - Quais são os níveis de conhecimento de profissionais Java? Por exemplo, o que um Junior precisa conhecer para ser considerado Junior? E o Pleno? e o Sênior? Dois pontos que eu considero importante para a diferenciação de Junior, Pleno ou Sênior é o tempo de experiência e o leque de tecnologias que o profissional conhece. Por exemplo um profissional que trabalha há 5 anos com Java mas que conhece muito pouco de JEE não necessariamente será Pleno ou Sênior. É difícil traçar uma linha que divide a categoria do programador até porque isso nunca foi definido e também não é um consenso. Existem empresas que o profissional precisa ter um ano de mercado para ser junior, dois para ser pleno, 4 para ser senior.  Isso é muito genérico e vai de profissional para profissional e de empresa para empresa.

Gustavo Lira especializou-se no desenvolvimento de aplicações Web, com as quais trabalha há 6 anos. É entusiasta da tecnologia Java, possuindo as certificações SCJP 1.5, SCWCD 1.5, OCDBD 5, OCE-EJB. Desenvolveu softwares utilizando as mais diversas tecnologias do Java EE e frameworks do mercado. Atualmente trabalha na 4Linux prestando consultoria no desenvolvimento de portais utilizando Portlets e eXo Platform, além de atuar como instrutor de cursos e Arquiteto Java EE.

 

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